terça-feira, 21 de outubro de 2014

Institutos federais terão apoio para projetos de pesquisa e extensão tecnológica


A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), abriu inscrições para seleção e financiamento de projetos de pesquisa aplicada e extensão tecnológica. Uma das modalidades a serem financiadas é a preparação para competições que envolvam projetos desenvolvidos nos institutos federais de educação, ciência e tecnologia. O prazo de inscrições vai até o dia 23 próximo.

De acordo com a Chamada Pública CNPq/Setec nº 17/2014, o investimento global chagará a R$ 40 milhões, liberados em parcelas anuais até 2016. Os projetos selecionados terão 24 meses de duração. O apoio governamental destina-se às linhas de pesquisa, desenvolvimento e inovação, extensão tecnológica, torneio de educação profissional e soluções tecnológicas. A linha torneio de educação profissional está voltada para a preparação de estudantes dos institutos federais para competições de conhecimento e competências técnicas de abrangência regional, nacional e internacional.

A equipe Jaguar, da unidade de Volta Redonda do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), é um exemplo de projeto bem-sucedido. Alunos de nível técnico na área de robótica móvel são preparados para competições, sob a coordenação do professor Helton Rodrigo de Sousa Sereno. O projeto, que conta com a colaboração direta de 16 alunos bolsistas, obteve a primeira posição na edição da Copa do Mundo de Robótica (RoboCup) realizada em João Pessoa, em julho último. A competição reuniu 25 equipes de 13 países. Em setembro último, a equipe do IFRJ participou, também com destaque, da Olímpiada do Conhecimento, em Belo Horizonte.

Qualidade — Para o professor Helton Sereno, a Chamada Pública nº 17/2014 é a oportunidade para um salto de qualidade na execução de projetos como o da equipe Jaguar. “Já estamos em fase final de elaboração do nosso projeto. A chamada nos abre a perspectiva de uma preparação qualificada, com mais aporte de recursos financeiros, materiais e humanos”, disse. “Afinal, como campeões mundiais da RoboCup, vamos defender o título na próxima edição, na China, em 2015.”

Aluna do último ano do curso técnico em automação, Alice Pereira de Oliveira, 18 anos, retrata como a participação no projeto e a condição de bolsista têm contribuído para seu crescimento acadêmico. “Antes do projeto, eu não tinha muito contato com a área técnica do curso. Hoje, na prática, observo muitas situações estudadas em sala de aula”, afirmou. “A bolsa ajuda a custear despesas com alimentação e transporte, o que permite dedicar mais tempo aos estudos e à preparação para as competições de robótica.”

Para apresentar projeto, o candidato deve ter o currículo cadastrado e atualizado na Plataforma Lattes, ser professor ou técnico administrativo e manter vínculo com instituição de Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. No caso de servidor aposentado, é necessário comprovar, na Plataforma Lattes, que mantém atividade acadêmico-científica, além de apresentar declaração da instituição executora do projeto.

Fonte: Ministério da Educação

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

No mês de outubro temos o 150 aniversário da estrutura do benzeno de Kekulé


Existem mais de 200 isômeros possíveis de uma molécula com a fórmula empírica C6H6. Há 150 anos, a estrutura do benzeno era uma questão de debate, e encontrar um modelo que poderia ser justificado com os dados físicos e químicos disponíveis era difícil, não menos como alguns dos dados (por exemplo, que o benzeno e tolueno ambos tinham dois isômeros) encontrados serem falsos. As estruturas postuladas incluíam cadeias de dialenos de cadeia linear ou anéis fundidos de ciclopropano. 

Alan Rocke, Case Western Reserve University, Cleveland, OH, EUA, conta a história de August Kekulé (1829-1896), que foi um dos pioneiros da química orgânica estrutural. A estrutura ciclohexatrieno do benzeno foi dito ter vindo de Kekulé enquanto cochilava em frente à lareira e sonhou com uma cobra mordendo a própria cauda. Ele originalmente relatadou a estrutura em 1885, em um artigo em que ele não dizia explicitamente que o benzeno é uma molécula simétrica com uma forma hexagonal, mas sim simplesmente uma cadeia fechada. Em 1866, Kekulé publicou outro trabalho que declarou firmemente a estrutura do benzeno, e este foi um ponto de viragem no desenvolvimento de múltiplas áreas da química, da química aromática (e as indústrias farmacêuticas e de corante) à química quântica.

Fonte: SBQ

Trio ganha Nobel de Química de 2014 por avanço em microscopia

Ganhadores do Nobel de Química de 2014 (Foto: Reprodução/Real Academia de Ciências da Suécia)

 O Prêmio Nobel de Química de 2014 foi oferecido nesta quarta-feira (8) a Eric Betzig, Stefan Hell e William Moerner por trabalhos que levaram a capacidade dos microscópios a um novo patamar.

Por décadas os cientistas assumiam que os microscópios ópticos teriam um limite de capacidade: eles nunca teriam resolução maior que metade do comprimento das ondas de luz. Com isso, era possível observar uma bactéria, mas não um vírus em detalhes, por exemplo.

O trio laureado desenvolveu técnicas que aumentaram consideravelmente a capacidade de observação de processos em seres vivos enquanto eles acontecem -- em nível molecular. Assim, se hoje os pesquisadores são capazes, por exemplo, de enxergar como um neurônio faz a sinapse (comunicação) com outra célula neural, isso se deve ao trabalho dos premiados desta quarta.

Para ver a imagem  em tamanho maior, abra a mesma em um nova guia e clica sobre ela para ampliar.

Um dos métodos desenvolvidos é o chamado STED, apresentado por Stefan Hell em 2000. Ele usa dois raios laser: um estimula moléculas fluorescentes a brilhar, e outro "apaga" toda a fluorescência que aparece fora do local que se deseja observar. Um escaneamento das moléculas tornadas brilhantes pelo laser resulta em uma imagem de altíssima resolução.

Eric Betzig e William Moerner, que trabalharam separadamente, criaram as bases para outra metodologia, que se baseia em "ligar" e "desligar" a fluorescência de moléculas individuais e fazer diversas imagens com cada uma delas "acesa" ou "apagada". A justaposição dessas imagens resulta numa retrato de alta resolução da estrutura a ser observada.

As técnicas desses três cientistas hoje são amplamente usadas em pesquisa e aplicações médicas. Graças a elas foi possível, por exemplo, entender como determinadas proteínas se comportam em organismos de pessoas com doenças como Parkinson e Alzheimer. Novas descobertas usando o conhecimento produzido por eles são feitas diariamente.

Eric Betzig nasceu em 1960 em Ann Arbor, nos EUA, é americano e trabalha no Howard Hughes Medical Institute, no estado da Virgínia. Stefan Hell, nascido em 1960, é alemão nascido em Arad, na Romênia. Ele atua no Instituto Max Planck para Química Biofísica, em Göttingen, e no Centro Alemão de Pesquisa de Câncer, em Heidelberg. William E. Moerner, nascido em 1953 em Pleasanton, nos EUA, é americano e trabalha na Universidade Stanford, na Califórnia.


A série de três imagens exemplifica o ganho proporcionado pela técnica de Betzig. À esquerda, a imagem da membrana de um lisossomo, uma organela celular, feita com microscopia convencional. No meio, a mesma organela, em uma das primeira imagens feitas pelo cientista com seu novo método. À direita, uma ampliação dessa imagem revela as moléculas da membrana (Foto: Divulgação/Real Academia de Ciências da Suécia)



Fonte: g1

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Você já ouviu falar em Homoaromaticidade?

Acredito que todos os graduando no curso de química, até mesmo alunos do ensino médio já tenham estudado sobre a aromaticidade, fenômeno que, em compostos orgânicos, acontece somente em compostos cíclicos e que tem o benzeno como o exemplo mais comum. Nas minhas aulas dentro deste tópico trabalho um artigo da química nova que trata da evolução histórica deste conceito e apresenta outras duas classificações dos compostos orgânicos: não-aromaticidade e antiaromaticidade. 


Caso alguém queira relembrar os conceitos ou por alguma razão nunca ouviu falar, pode acessar o artigo clicando aqui. 

Dentre estes compostos ainda existe uma outra classificação. Já ouviu falar em Homoaromaticidade?

O termo Homoaromaticidade é a propriedade de compostos que exibem aromaticidade apesar de uma ou mais ligações saturadas interromperem a conjugação cíclica formal. Entre outras palavras, o fenômeno ocorre em compostos aromáticos onde uma dupla ligação C=C é substituída por um ciclopropano, ou átomo de carbono saturado (SP³) é introduzido na cadeia conjugada.
Alguns exemplos de compostos Homoaromáticos

Uma espécie homoaromática ocorre quando a delocalização cíclica de um sistema com (4n+2) π elétrons não é interrompida pela inserção de um ou mais grupos saturados. Este fenômeno de conjugação não-clássica recebe o nome de homoconjugação e se dá através de três tipos de interações: espacial, por ligações π e transanular. Se considera que o primeiro caso é o mais comum nos sistemas homoaromáticos e recebe o nome de homoconjugação de antiligante; o segundo caso é conhecido como homoconjugação de ligação. No terceiro tipo de interação, diferentemente dos dois anteriores, uma unidade saturada transanular é inserida de tal maneira que causa a perturbação da conjugação direta, mas sem impedi-la.

Teoricamente, derivados dos compostos aromáticos podem ser obtidos, adicionando à estrutura grupos CH2. Como exemplo, temos o íon aromático tropílio e seus derivados. Tal como a conjugação cíclica em aromáticos, a homoconjugação cíclica produz uma diminuição na energia de um sistema homoaromático, fazendo-o mais estável. Porém, estima-se que a estabilização destes sistemas não é tão grande quando comparados com os compostos iniciais aromáticos.


terça-feira, 9 de setembro de 2014

2015: Ano Internacional da Luz


A Organização das Nações Unidas proclamou em 2013 o ano de 2015 como o Ano Internacional da Luz e Tecnologias Baseadas na Luz para celebrar aniversários de descobertas marcantes da história da ciência da luz, particularmente propriedades fundamentais de reflexão e refração da luz por Abu Ali El-Hasan (1040), a natureza ondulatória da luz (Fresnel, 1815), a teoria eletromagnética de sua propagação (Maxwell, 1865), a teoria da relatividade (Eisntein, 1915), as microondas cósmicas e as fibras óticas, cinquenta anos atrás. Estas efemérides foram propostas à ONU pela IUPAP, a Sociedade Européia de Ótica e outras associações de física ótica para o ano de 2015, tendo como públicos alvos: crianças, estudantes, educadores, cientistas e imprensa/midia. As atividades propostas para 2015 pela organização central da UNESCO visam divulgar, discutir e dar respostas às questões: Por quê interessa a luz: O que é fotônica?; Energia?; Impacto nas crianças? Luz no ambiente urbano? Lasers? Fontes de luz no mundo? Luz na vida? Luz na natureza? Luz na Arte e Cultura (Fotografia, Teatro, Cinema, Artes Plásticas)? Envolvimento "mão na massa" da luz na ciência do smart-phone, em kits de ótica, imagens da luz (astros), palestras, crianças e ótica? A luz cósmica (astronomia e sondas espaciais)? O centenário de Einstein, escuridão dos céus, imagens do universo, o Big Bang, um "Galileuscópio"? Luz para o desenvolvimento? A escola noturna, aprendizagem ativa, ações da UNESCO, astronomia para o desenvolvimento? Histórias da Ciência: as mulheres na ciência, 1000 anos de ótica árabe (Abu Ali Al Hasan, astrônomo e matemático), Blog - O mundo dos cientistas, breve história da luz, descobertas da luz?

Numa primeira reunião das sociedades científicas convidadas pela SBPC, relacinadas direta ou indiretamente à luz, já foram levantadas várias atividades junto ao ensino básico, universidades, museus de ciência, jardins botânicos e zoológicos, reuniões das sociedades científicas, imprensa e público em geral. Uma delas, um desafio para nós da SBQ, é propor experimentos simples que envolvam a luz, principalmente um experimento mensurável (kit), interativo, para crianças e adolescentes das escolas à semelhança do projeto pH do planeta durante o Ano Internacional da Química - sucesso estrondoso no Brasil e exterior. Outras atividades mais simples de se organizar incluem: concurso e exposição de fotografias (Fundação Conrad Wessel), exposição de painéis, palestras, vídeos, publicação de números especiais de revistas, entrevistas em rádio e TV, etc, algumas já em andamento. Por exemplo, a SBF já propôs um painel com fotos do céu do Brasil em períodos pré-determinados da manhã, tarde e noite, enviadas por estudantes de todo o país, como o objetivo de estimar níveis de poluição atmosférica e visibilidade de constelações, que serão identificadas por um software.

No que toca à Química, entendo que serão alvos de nossa participação a fotoquímica, a quimioluminescência, a bioluminescência, os leds, a terapia fotodinâmica, os corantes, as terras raras, os lumiensaios, entre outros, ou seja, os tópicos que regularmente discutimos nas divisões de Fotoquímica, Química Medicinal, Química Analítica, Tecnologia e outras. Solicitamos aos sócios da SBQ interessados no Ano Internacional da Luz que visitem o site da UNESCO e enviem suas sugestões à diretoria da SBQ (diretoria@sbq.org.br), que as passarão ao Comitê da SBQ coordenado pelo Prof. Etelvino Bechara.

Fonte: SBQ

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Brasileiro: 'analfabeto' científico?

Novo índice mostra que a ciência influencia a forma de ver o mundo e de lidar com situações complexas de apenas 5% dos avaliados, enquanto mais da metade sequer consegue aplicar o que aprendeu na escola em situações cotidianas.

Desempenho brasileiro no primeiro Índice de Letramento Científico mostra que ciência não está integrada ao cotidiano do brasileiro. (foto: Flickr/ Fortimbras - CC BY-NC-ND 2.0)

Como você avalia a sua capacidade de utilizar o conhecimento científico para resolver questões do dia a dia? E para fazer abstrações, criar hipóteses, planejar e inovar? Em um mundo em que a ciência e a tecnologia estão cada vez mais presentes, em que a sociedade é chamada a se posicionar sobre grandes questões como pesquisas com células-tronco e cultivo de transgênicos e no qual inovar é a palavra de ordem das empresas, essas questões são fundamentais. Mas, segundo a primeira edição do Índice de Letramento Científico (ILC), no Brasil é muito baixa a quantidade de pessoas ‘letradas’ em ciências, capazes de empregar os conhecimentos escolares no seu cotidiano e no planejamento do futuro.

Esse é só um trecho do Artigo do Marcelo Garcia. Você pode ler na íntegra na página da Revista Ciência Hoje On-Line, clicando no link abaixo:  



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Manifestação da SBQ em resposta à coluna de Denise Fraga da Folha de São Paulo


       A Sociedade Brasileira de Química (SBQ), por meio de sua Diretoria e Conselho, manifesta-se em resposta à coluna de Denise Fraga, da Folha de São Paulo, do dia 3/8/2014, intitulada "Química, pra que te quero?", com o objetivo de esclarecer os leitores da Folha e contribuir, como sempre tem feito, para melhorar a educação no Brasil. 

      Como ponto central está o porquê de se ensinar Química nas escolas. Estudantes devem ser introduzidos às Ciências, como a Química, e ao método científico o mais cedo possível. Isso lhes dá uma compreensão de fatos fundamentais para se tornarem cidadãos capazes de compreenderem o mundo ao seu redor. A Química não interessa apenas aos que amam esta Ciência: ela nos acompanha em cada momento e lugar de nossas vidas, desde o nascer até o pôr do sol, desde o sabonete e a pasta de dentes até as roupas, o analgésico e o automóvel. Crianças e adolescentes aprendem Química para se tornarem cidadãos capazes de tomarem decisões informadas. Eliminar o ensino de Química os torna presas fáceis de exploradores de todos os tipos, o que infelizmente presenciamos a cada dia no comportamento dos que decidiram ignorar as ciências. 

       O texto de Denise Fraga tem uma única virtude, que é ilustrar (mais uma vez) a péssima qualidade do ensino no Brasil, principalmente nas escolas públicas, tão carentes de infraestrutura e de professores mais bem preparados para a arte de ensinar.

       A Sociedade Brasileira de Química tem trabalhado incansavelmente, desde a sua fundação, em 1977, para o desenvolvimento e fortalecimento da Química em todos os seus aspectos. Em um episódio recente, tivemos mais de um milhão de jovens brasileiros participando de um experimento sobre a qualidade da água dos rios e mananciais, com manifestações emocionantes de estudantes e de professores aplicados. Temos uma revista para professores e um site com materiais para estudantes e professores, com centenas de milhares de acessos a cada ano. Infelizmente, ainda é muito menos que o necessário mas contamos que esta coluna de Denise Fraga contribuirá para que cada vez mais pessoas se empenhem pelo ensino e aprendizagem da Química, para o bem de todos.

Adriano Andricopulo
Presidente da SBQ

Veja a coluna de Denise Fraga:

Veja a mensagem do Presidente da SBQ na Folha de SP sobre coluna de Denise Fraga:

Veja a mensagem do Presidente da SBQ na página de notícias da SBPC